Entrevistas

O carioca Jacinto Fabio Corrêa – meu amigo poeta

Patricia Cabral e Jacinto Correa - destaque

Quando conheci o jornalista, publicitário e poeta, Jacinto Fabio Corrêa, ele já atuava no mercado de trabalho como assessor de imprensa na organização e administração do arquivo do cineasta Glauber Rocha; e eu, uma estagiária iniciando minha jornada.

Foi no Museu da Imagem e do Som, em 1986, que nos conhecemos. Convivemos por mais de três anos, depois a vida nos separou por motivos profissionais e geográficos. Mas mesmo distante, por mais de vinte anos, as boas lembranças jamais me fizeram ficar afastada dele, mesmo que em pensamento. De longe acompanhei parte de sua trajetória literária, comprei alguns de seus livros, certamente os primeiros a serem lançados, mas a vida fez o favor de nos separar por muito tempo, mas também fez o favor de nos juntar novamente, graças a um recital – POR TODOS OS DIAS DA MINHA SAUDADE – que ele me enviou o convite. Sim, porque isso ele jamais deixou de fazer, eu é que não comparecia. Desta vez, compareci. E assim nos reencontramos e pude saber com detalhes toda a trajetória do amigo poeta, que utiliza histórias do cotidiano, amores possíveis e impossíveis, questões existenciais e um dos mais românticos bairros do Rio, Copacabana, como inspiração de seus poemas e contos. Hoje já são doze livros publicados. Mas de que forma nasceu a história desse meu amigo poeta? Eu fui conferir…

O antes…

Patricia Cabral e Jacinto Correa - antiga

Da esquerda para a direita: Jacinto, euzinha Patricia Cabral (estagiária na época), Luis Alberto (estagiário) e Carlota Areosa (Museóloga)

E o depois…

Patricia Cabral e Jacinto Correa - atual

Aos nove anos Jacinto já buscava alguma forma de expressar sua arte. Na escola começou a desenhar, mas notou que dava importância mesmo era aos títulos enormes que criava para os simples desenhos que fazia. Percebeu, então, que aquele ainda não era o seu caminho. Aos onze anos escreveu seu primeiro poema. Sentiu naqueles versos uma identificação tão grande, que assustado guardou o texto e só voltou a escrever aos treze anos. Usou a poesia para enfrentar o mundo, já que se considerava um rapaz muito tímido. Daí em diante, nunca mais parou de escrever.
Mas demorou em mostrar aos leitores seus versos. Só aos 29 anos ele lançou seu primeiro livro “Entre Dois Invernos”, onde retrata, com sutileza, situações do dia-a-dia.

Jacinto Fabio Correa

Fotos: Anna Agonigi e Jackeline Nigri

Difícil mesmo foi batalhar uma editora para a publicação de seu livro. Sem sucesso, depois de várias tentativas, Jacinto partiu para a produção independente graças à insistência da amiga Cecília Leal, que lhe apresentou um mundo, até então desconhecido, onde ele pôde confeccionar um livro de características muito especiais: um pequeno caderno espiral decorado com papel colorido na parte interna, como ilustrações temáticas dos poemas.

“Para eu conseguir pagar a gráfica, eu tive que vender os livros antes do lançamento. Com tudo quitado, os meus leitores e amigos compareceram à noite de autógrafos para pegar o livro e pra mim foi um evento mágico.”

Livros Jacinto Fabio Correa 2

DELICADEZA

Mantenho a saúde

da primeira saudade.
Vencê-la fortificou
a permanência.
A cada manhã ainda te aguardo
como se nunca tivesses chegado.

A água do mar é quente
O lugar é bonito.
Me acorde às cinco.
Eu preciso buscar o sol pra você.

Livros Jacinto Fabio Correa

E assim a dificuldade inicial lhe deu o caminho das pedras, pois os outros onze livros foram confeccionados de forma artesanal como o primeiro, e sem a interferência das editoras. Uma parceria que Corrêa mantém com a designer Heliana Soneghet Pacheco há vinte e cinco anos. Na opinião do poeta, ele não poderia ter feito escolha melhor.
“A edição de livros customizados virou nossa marca registrada. Aliar o texto a programação visual, de certa forma me garante que é um livro exclusivo que cada leitor leva pra casa, e por mais que existam ferramentas facilitadoras na internet, muitos leitores não abrem mão desta experiência sensorial, de tocar e literalmente devorar os textos. Por isso, compor o trabalho poético com tecidos, rendas, papéis coloridos, é uma experiência única”.

Além de Entre Dois Invernos, Jacinto Fabio Corrêa tem publicado mais onze livros de poesia seguindo a mesma linha editorial, em parceria com a designer Heliana Soneghet Pacheco: Cenas Nuas (1990), Jogos Urbanos (1992), O Derrame das Pedras (1994), Pedaços – O Parasempre da Hora (1996), O Diário do Trapezista Cego (1999), Poemas Casados (2003), Poemas Caseiros e Poemas Simples (2007), Silenciário (2010), Casa de Algaços (2012), e Cartas ao Grande Amor (2014).

Livros Jacinto 2

Livros Jacinto 1

Inspiração:

“Um poeta precisa das palavras como precisa do ar para viver”. Não há disciplina para escrever, define Jacinto, mas antes de sair de casa não pode faltar a leitura de um poema, “é como rezar” – diz ele, uma proteção. E dentro da bolsa, pasta, enfim o que for, caneta e papel sempre a postos, pois as idéias fluem a todo instante e precisam ser anotadas para não escapar. A experiência lhe diz que os melhores contos, poemas, versos surgem do que lhe acontece, do que ele escuta. Para Jacinto é como se a vida fosse escrita. Copacabana é o bairro cenário de muitos poemas e palco de grande parte de sua vida amorosa e familiar. O caos urbano, o cotidiano e o misticismo são temas que estão, de alguma forma, descritos em seus doze livros que, segundo o poeta, conta histórias através de versos, contos e cartas.

“Minha relação com a poesia é espiritual, eu não dependo dela para viver. Estou jornalista, estou publicitário, mas sou poeta.”

Jacinto Fábio Corrêa integra atualmente o grupo Nós da Poesia, formado ainda pelas poetisas Adele Weber, Lila Maia, Maria Dolores Wanderley e Helena Ortiz, e trabalha como diretor de Planejamento e Comunicação no SENAC Nacional, com base no Rio de Janeiro.

Pra quem quiser conhecer melhor o trabalho do Jacinto e sua poética, e até mesmo adquirir seus livros, poderá acessar o site www.jacintocorrea.com.br.

Jacinto Fabio Correa 2

Aí vai nosso ping pong carioca:

1) Se você fosse um lugar no Rio de Janeiro, qual você seria?
J: Parque Lage , porque eu acho o lugar mais lindo e eu adoro o mato. Eu sou um carioca não tanto de praia, mas apaixonado pelas florestas, pelo mato do Rio de Janeiro. O Parque Lage era o lugar onde eu gostaria de morar.

2) Uma música que seja a cara da cidade ou que te faça lembrar do Rio, quando você está fora daqui?
J: âmbar, da Adriana Calcanhoto, que foi gravado pela Maria Bethânia.

3) O melhor do Rio?
J: A alegria verdadeira do carioca. É uma coisa que eu não vejo em lugar nenhum, é uma certa inocência na alegria. O carioca tem o acolhimento que é natural dele, o brasileiro não, você vai em outros lugares não encontra esse comportamento não. Povo hospitaleiro no Brasil é o carioca.

4) Uma personalidade Carioca
J: Evandro Mesquita , Fernanda Abreu – eles são a cara do Rio.

5) O dia ou a noite?
J: O dia, o Rio é muito mais bonito de dia.

6) MPB, Samba ou FUNK?
J: MPB sempre, só.

7) O que é a cara do Rio?
J: O túnel Rebouças, porque ele une dois dois mundos completamente diferentes. Ele tem o glamour da zona sul, e tem uma coisa interiorana da zona norte, da zona oeste e tal. A gente está muito acostumado com o Rio da zona sul, quando você começa a conhecer o subúrbio, ele é de uma vida, de uma natureza, de uma cultura tão importante quanto a da zona sul.

8) Um lugar no Rio para fugir?
J : Jardim Botânico.

9) Para fazer compras?
J: Shopping Rio Sul ou Barra Shopping.

10) Lugar para comer bem?
J: Ráscal , Árabe do Barra Square.

11) Um lugar para se divertir?
J: Feira do Lavradio.

12) Um lugar para descansar?
J: Minha casa.

13) Um lugar para se apaixonar?
J: Arpoador.

14) Um Lugar para pegar uma praia?
J: Copacabana.

15) Um lugar para se inspirar?
J: Copacabana e qualquer lugar do Rio, mas especialmente Copacabana e Leblon.

16) E para ver o pôr do Sol?
J: Ipanema.

 

Espero que tenham gostado!

Paty

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  • João Pinheiro

    Linda matéria sobre nosso querido e grande poeta, parabéns, sou fã!

    • http://www.acaradorio.com/ Thailise Monteiro

      Que bom que gostou João! Ele é realmente um querido :)
      Beijos